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Notícias gerais › 06/02/2016

Águas profundas numa ‘Igreja em saída’

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Poucos peixes depois de uma noite insone de trabalho pesado. Na areia, a rede vazia de peixes e o coração cheio de perguntas: “Onde estão os peixes?”, “o que estamos fazendo de errado?”, “será que estamos desaprendendo a pescar?”, são questões que certamente brotaram na mente de São Pedro e seus companheiros. Situação típica do ser humano: a incerteza diante do que antes parecia certo, do que era dado por descontado. O susto diante da instabilidade da existência, da consciência de que “é preciso mudar muito para se continuar sendo o mesmo”. Na pastoral, a rede vazia pode apontar para a nossa dificuldade de interagir e dialogar, no risco de cairmos na irrelevância, no distanciamento da realidade, na auto-referencialidade. Seria a “Igreja Doente”, porque fechada em si mesma, conforme alerta o Papa Francisco.

Jesus, que não era pescador, mas profundamente sintonizado com o que de fato importa na vida, dá a dica certeira: “Avancem para águas mais profundas”. As águas profundas são o coração do Evangelho, é tudo de melhor que a Boa Nova pode oferecer: a libertação das amarras, o respeito, o interesse gratuito pelo outro, o espírito de serviço, a construção da justiça, o amor aos pobres e fragilizados. Nos caminhos da Pastoral, avançar para águas mais profundas é apostar numa ação “Igreja em saída”, missionária, que assume sem medos as dores e alegrias da humanidade.

E as redes se encheram. A pescaria foi farta! Tanto que as redes se romperam. Rede cheia, muitos peixes, não significa necessariamente uma Igreja triunfante, sucesso de público, com celebrações repletas, tornadas verdadeiros espetáculos! Aponta mais para uma Igreja que se faz dócil aos apelos da humanidade, que se esforça pela fidelidade incondicional aos sonhos de Deus, que às vezes sofre e se acidenta (afinal, as redes se romperam e o barco quase afundou), mas que não teme em reergue-se para seguir o seu caminho. Que o Senhor ilumine nossos passos em direção desta pesca farta e milagrosa.

 

Frei Gustavo Medella 

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