Amados irmãos e irmãs, estamos no mês de maio e queremos nos encontrar com Jesus pelas MÃOS QUE EDUCAM de Maria.
Nós somos cristãos, discípulos de Jesus, mas nem sempre somos coerentes ao assumir seu Evangelho em nossa vida. Muitas vezes, vivemos uma vida de ilusão, de sonhos, de bons desejos e intenções. Acaba acontecendo uma separação entre a palavra e a ação, entre o escutar e o fazer, entre o prometer e o cumprir.
Biblicamente podemos chamar uma separação entre os olhos, ouvidos, coração e mãos: o olho é a atenção, o ouvido é escuta, o coração é decisão, a mão é o lugar da ação concreta. Se o olho, o ouvido, o coração e as mãos caminham cada um por conta própria, a nossa vida se torna incoerente, frustrada, inconsequente. É o drama fundamental de uma existência desunida, sem harmonia.
Em Maria nós percebemos que sua vivência concreta do amor revela o relacionamento justo e coerente entre a escuta, a decisão e a ação. Em Maria encontramos o equilíbrio entre ouvido e olho, coração e mãos. Ela se deixa educar e educa. Maria escuta, olha, decide e age.
Essa harmonia da mãe educadora nós encontramos de modo claro no Evangelho de Lucas, que narra a perda e o encontro de Jesus no Templo. Para todo menino judeu, a primeira visita ao Templo é cheia de emoções. Jesus a vive como encontro com o Pai e suas coisas, até o ponto de ali permanecer sem o consentimento dos pais, causando-lhes preocupação e angústia.
Nesta situação, Maria educadora tem uma atitude de profundo respeito e diálogo diante de um conflito. Ela e José sofrem pela decisão de Jesus. Ele ficou no templo, mas não os avisou. Eles ficam angustiados e preocupados. Cria-se um clima de tensão, mas Maria o resolve de modo equilibrado e maduro.
Com Maria, mãe educadora do Messias, aprendemos a resolver situações de conflito. Diante de uma situação conflitiva existem três possibilidades de agir: CALAR, GRITAR E FALAR. Muitas vezes, tentamos resolver os conflitos com o silêncio. Para evitar confusão, decidimos ficar CALADOS.
Porém, chega o momento em que não suportamos mais o silêncio e acabamos explodindo, passando para o outro extremo que é o GRITAR, isto é, impor a verdade que se deseja comunicar, com a força das palavras.
No meio destas duas possibilidades está o FALAR, que é propor a verdade com simplicidade e respeitar a liberdade do outro em aceitá-la ou não.
Maria não se cala, mas também não cai no extremo do gritar, ela fala: “Meu filho, por que agiste assim conosco?” Ela interpela a Jesus mostrando a preocupação que ele lhes causou: “Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. Porém, ela deixa que Jesus preste contas de seu ato. E aqui Maria se apresenta como mãe e educadora que, quando necessário, recorre à pedagogia dos limites ao chamar a atenção do filho que se perdera.
Por outro lado, Jesus sente-se livre para dar suas razões: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”. O evangelho conta que Maria não compreende as razões de Jesus, mas as aceita e o respeita. O importante não é estar de acordo com tudo, mas saber que a outra pessoa tem razões para agir como agiu. Por isso, ela guarda tudo no coração.
Peçamos a Maria que nos ensine a encontrar Jesus amando, com nossas mãos abertas para acolher, partilhar e comungar.
Dom José Francisco Rezende Dias
Arcebispo Metropolitano de Niterói