Newsletter

Artigos › 01/10/2016

Virtudes a partir da espiritualidade franciscana

virtudesMudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

SABEDORIA: Vem de sabor. O sábio é aquele que sente o gosto de todas as experiências. Vai com sede e fome na busca intensa do que quer. É a arte de saborear a experiência da Vida. Oferece um conhecimento mais saboroso da verdade. É uma afinidade. A via é o paladar (no plano sutil). É ver com os olhos do Bem Amado. É o conhecimento saboroso da verdade. Como diz o Mestre Eckart: “Deus degusta-se nos meus sentidos”.

INTELIGÊNCIA: Fazer valer o intelecto como lugar do aprendizado, do conhecimento, do ensinamento. Fazer evoluir a mente. Inter-leggere é ler dentro, penetrar fundo na ordem natural. É ter intuição do significado profundo.

CONSELHO: A palavra precisa na hora oportuna. A direção espiritual, moral, ética, virtuosa. A troca de experiências como testemunho de vida e apoio. Faz parte da prudência. Tomar decisões oportunas sem insegurança. Sugere o que fazer nas dificuldades da vida, ensina como falar, a quem falar e quando falar.

FORTALEZA: Vigor. Buscar a segurança e a estabilidade emocional. Trabalhar o físico, o espiritual e o psíquico para não de desconsertar em qualquer situação. É tenacidade. Unir as forças humanas com as forças divinas. Uma força que pode transformar obstáculos em meios; assegura tranqüilidade e paz mesmo nas horas mais atormentadas. Torna-nos capazes dos mais generosos sacrifícios.

CIÊNCIA: Ciente do ser e dos seres. Conhecer. Buscar para compreender. Sonda o universo e seus fenômenos. É entrar na realidade de tudo sob a luz de Deus. Vê cada criatura como reflexo da sabedoria e bondade do Criador. Dar o devido valor à todas as coisas, às pessoas, aos fatos e as realidades da vida e do mundo.

PIEDADE: É o modo de ser sensível na arte de relacionar-se. Procurar um relacionamento reto e justo e ser reto e justo em ter soluções para as dores do outro (a). É uma orientação das relações. É um interesse fraterno que visa o melhor. Nos capacita a enxergar e não camuflar a essência do outro (a).

REVERÊNCIA (Ou TEMOR de DEUS): É reconhecer a nossa pequenez diante da grandeza do Criador. Evitar a presunção e o orgulho reconhecendo a grandeza e a bondade de Deus. Esta virtude torna a alma delicada, fiel, respeitosa (cfr Eclo 2, 7-13 ). É admiração, encantamento, caminho de reconhecimento da conquista da verdade do Ser e de todos os seres.

PAZ: Busca da Inteireza. Vem de Shalom (judaísmo) ou Namastê (hinduísmo). A Inteireza do ser é sempre passar o melhor do divino e o melhor do humano que está dentro de si para o outro(a). É a mesma coisa que dizer: “Sê inteiro!”, “Sê inteira!”; deixar-se moldar pelo sagrado e transformar-se em protagonista desta força divina que age dentro: “Senhor, fazei-me instrumento de tua Paz!”

RESPEITO: Sensibilidade para perceber a verdade do outro(a), sua qualidade, sua tradição, sua bagagem, sua capacidade. Valorizar tudo e a todos. A beleza que você encontra no diferente de você mesmo é sua. É dizer: “A minha alma agradece por ter encontrado você!”. Ser sal da terra: respeitar e ressaltar no outro o gosto do outro.

GRATIDÃO: Capacidade de maravilhar-se diante de tudo que se recebe. Agradecer é reconhecer.

UNIÃO: É a arte de unir pedaços e moldar um mosaico de unidade. A virtude da união é reunir o múnus, isto é, o papel de cada um(a). Unir as diferenças para criar um todo. A diferença é condição para criar a união. Se não houver o diferente, como unir? Se pensarmos tudo igual…não precisamos pensar mais.

FRATERNIDADE: Criar laços consangüíneos com uma família espiritual. É a qualidade das nossas relações. A pessoa se define pelas relações qualificadas. A fraternidade ajuda a abrir mão de interesses puramente egoístas.

CONFIANÇA: Con – fiar. Fiar com. Isto é: tecer os fios da mesma trama. É abandonar-se à criatividade. A confiança é criativa; ela permite. O paraíso perdido é a confiança perdida. Acreditar na força da vida capaz de desfazer um nó.

SOLIDARIEDADE: É a fecundidade social da capacidade de amar. O amor que sai de si e vai de imediato para a necessidade emergente da situação (de algo ou alguém). É não amar por dever, amar pela naturalidade da entrega. Não dar só pão, dar a humanidade junto com o pão. Libertar-se do ideal para trabalhar com o real.

DIÁLOGO: Através da palavra, através da comunicação, através da fala e da escuta, entrar no mundo das idéias num intercâmbio de compreensão. Recuperar uma fala e uma escuta terapêutica: é a fala e a escuta que permite atravessar os nossos medos. É saber silenciar. O falar e o pensar correto tem muito a ver com o silenciar.

DISCIPLINA: Escutar o valor maior na hora de exercitar-se. Impor uma conduta para vencer o apego apenas ao agradável e fácil integrando à vida grandes desafios.

HUMILDADE: Vem de Húmus. A fecundidade que está no subsolo da vitalidade. A força escondida que faz tudo desabrochar. A capacidade de assumir o próprio tamanho sem aparentar ser maior e nem menor do que se é: é a arte de ser o que se é! É a consistência interna que dá tempo para que tudo fecunde, floresça, desabroche. O humilde se submete a qualquer condição. Tem coragem. A humildade está muito ligada ao mistério de cada um.

 

Frei Vitório Mazzuco Fº

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.