Niterói, 31/07/2010
HOME   
 
PARÓQUIA   
 
Localização   
Fraternidade   
Histórico   
 
 

Secretaria   
Missas – horários   
Confissões – horários   
Batismo   
Casamento   

 
 
 
SEFRAS   
 
ORAÇÕES   
 
REFLEXÃO   
 
 
BOLETINS   
 
LINKS   
 
Aquidiocese

 

TEXTOS/ARTIGOS

A Misericórdia faz discípulos

Num relato, aparentemente, todo descritivo, somos levados a ver que Jesus, por seus gestos de misericórdia, transforma pecadores em seus discípulos. Assim aconteceu com Mateus, o cobrador de impostos, e com os outros coletores de impostos, que tiveram a graça de se sentarem à mesa com ele em casa de Mateus. E, ali mesmo, a lição tornou-se evidência e fato consumado para todos: “Aprendei, pois, o que significa:Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

Somos, verdadeiramente, tentados a imaginar Jesus como ser perfeito chamando pessoas perfeitas, convictas, dispostas, mansas, fiéis desde toda a eternidade e, no princípio, dadas a um senso de conversão. Nada mais lógico que isso: o Messias facilitando a obra de outros mestres. Porém, não é isso. Jesus está, sim, com pessoas comprometidas, cheias de envolvimento, perspicazes e lúcidas, mas cujo sentido da vida não é o da Lei, da penitência, da bondade que vem de Deus e leva a Deus. Está com pessoas que trabalham, espertamente, em vista de benefícios, ainda que seja para um domínio alheio, o romano, sem qualquer perspectiva religiosa ou cultural. Ao contrário, são pessoas que a própria religião, na compreensão dos que a vivem, torna segregadas, impuras, incapazes de participar da vida religiosa normal. Por isso, sabem que o mundo é o lugar de sua história, de seu começo e fim e vivem como quem claro que é preciso tirar vantagens do que se faz. Daí, a gana dos fariseus, que jogam, na cara de Jesus e de todos, que esses irreverentes colaboradores de impostos e outros pecadores, sem religião, sem culto, sem povo, sem pertença, sem templo e sem Lei, não têm Deus e não contribuem para a santidade de Deus.

O inusitado também acontece: Mateus e outros colaboradores de impostos, que não eram dados ao sacrifício, à oferta, ao culto e à observância da Lei, são tocados pela misericórdia, pela atenção, pela sensibilidade e pelo convite de Jesus. De imediato, se realiza não só o abandono do trabalho que era o vínculo maior com um passado e com uma situação de vida, com interesses e razões, mas também o abandono de toda a condição de vida anterior. O “segue-me” de Jesus faz de Mateus, cobrador de impostos, um discípulo, comprometido com sua proposta e com a graça dele oferecida a toda a humanidade. E isso acontece, de igual maneira, com outros coletores de impostos e pecadores: a misericórdia de Jesus os faz discípulos.

Curiosamente, vemos esses pecadores no centro da atenção de Jesus. Eles são a razão de sua vida, se seu ministério. “Quem tem saúde não precisa de médico; dele têm necessidade os doentes”, é o que diz Jesus, respondendo às perguntas de incompreensão dos fariseus. O programa de Jesus, sua defesa, sua atenção não englobam fariseus, santos, devotos e fiéis.

A ação de Jesus, que chama, senta-se junto, acolhe, não condena, resgata a dignidade do publicano Mateus, associa colaboradores de impostos, inaugura a religião da misericórdia e revela o rosto de Deus de Jesus Cristo: não um legalista nem um exigente defensor do culto, no qual se negam o coração e o serviço, mas um Deus que associa, integra, cura, restaura, dignifica, humaniza e envia.

Esse Jesus chama também cada um de nós, em nossas coletorias de impostos. É esse Jesus que nos quer sentados com ele à mesa para nos tocar o coração e nos fazer seus discípulos.

Frei Salésio Hillesheim, OFM
Fonte: Uma passagem pela Porciúncula de Sant’Ana

| VOLTAR |
© Paróquia Porciúncula de Sant'Ana – Todos os direitos reservados