Niterói, 31/07/2010
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TEXTOS/ARTIGOS

Os frutos da vinha do Amado
Mateus 21,33-43.45-46

O  Antigo Testamento fala de uma vinha. O Amado, o Deus grande e santo, tinha uma vinha que era a casa de Israel. Isaías escreve belamente: “Um amigo meu possuía uma vinha em fértil  encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar, esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens. Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai  a minha situação e a da minha vinha. O que poderia eu ter feito mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas porque produziu ela  uvas selvagens? (Is 5, 1-4).

As palavras de Isaías nos lembram estrofes do hino da Sexta-Feira Santa, os lamentos do Senhor: “Que te fiz, meu povo eleito? Dize em que te contristei! Que mais podia ter feito, em que foi que te faltei?” E mais adiante: “Bela vinha eu te plantara, tu plantaste a lança em mim; águas doce eu te dava, foste amargo até o fim”.

De fato, a parábola dos vinhateiros  homicidas assim começa: “Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a  vinhateiros e viajou para o estrangeiro”.

O Senhor Deus quis ser o esposo de Israel. Houve uma rejeição. Israel preferiu seguir seus caminhos e seus caprichos e o Altíssimo deixou a esposa entregue à própria sorte.

Um dia Cristo Jesus plantou uma vinha, deu a vida pelos seus, no alto da cruz, vestido da pureza de sua nudez, tornou-se o esposo amado de uma esposa que o havia abandonado. Fez com a esposa uma aliança fiel, eterna e para sempre... Quando o esposo, antes de dar a vida pela esposa, não foi aceito, mesmo assim ele a amou e amou-a até o fim.

Coloca-se agora a questão  dos frutos que a esposa de Cristo, a Igreja,  produz.  O Amado depois de ter dado a vida pela Esposa continua presente no meio dela, mas de maneira invisível. Depois de sua ascensão pediu que ela não ficasse olhando para os céus, mas fosse pelo mundo e produzisse frutos. Será que nossas comunidades cristãs estão acolhendo de fato o Cristo? Será que nossas comunidades, de alguma forma, não se excluem do amor do Esposo?

O espírito da quaresma nos lembra que não podemos descansar. Os tempos mudaram e vemos que grande parte dos homens é indiferente à Igreja e ao cristianismo. Os países de velha cristandade não contam mais com grande participação do povo. Muitos daqueles que pertencem às novas gerações não conhecem mais a Cristo. As famílias foram perdendo o senso cristão. Quem são os verdadeiros herdeiros da vinha  do Senhor?

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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