Niterói, 04/09/2010
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Discípulos que iluminam o mundo


Logo depois de ter enunciado as bem-aventuranças, o Sermão da Montanha aborda o tema da iluminação do mundo que será operada pelos cristãos ou então da missão de  salgar a terra que pode estar insossa.

Tempos houve em que o cristianismo e, mais especialmente o catolicismo, não tinha maiores problemas em ser aceito. Falávamos de países católicos, de uma Europa cristã, de famílias católicas, de escolas católicas, de um mundo “evangelizado”.  Missionários se deslocavam da Europa par “plantar” a Igreja na América, na África e na Ásia.  Verdade que, muitas vezes, havia uma prática exterior, mas sem correspondência luminosa do interior das pessoas. Hoje, situamo-nos num outro tempo em que se torna urgente uma nova evangelização, uma tentativa de diálogo sereno entre as religiões e a busca de caminhos diferentes que tornem crível a nossa pregação.
Ora, uma das maneiras mais eficazes de anunciar a fé  é através do testemunho evangélico dos cristãos, das famílias, da Igreja tomada como um todo.

Jesus se autodefiniu como luz do mundo. Seu nascimento é previsto pelos profetas como um fato luminoso. Os povos que caminhavam nas trevas viram, então, uma grande luz.  O momento em que ele está sofrendo a paixão é caracterizado como a hora das trevas.  Os que são de Cristo se tornam luz e sua claridade bilha diante dos homens.

Os que iluminam os outros levam as pessoas ao encontro com Deus. Assim, uma das mais importantes  missões dos discípulos de Jesus será, através do jeito de viver, do despojamento, da distância da busca de honrarias desnecessárias, levar as pessoas ao encontro esplêndido com Deus.

“Jesus tem surpreendente confiança nos homens. Chega a dizer: Sois o sal da terra, a luz do mundo. Só é possível sê-lo na medida em que se haure em Jesus o sabor da novidade que dá gosto e sentido á vida, o “ser sinal de Deus” que dá orientação ao caminho. Ai está a dificuldade. Entretanto, há nisso uma promessa: todo pequeno elemento divino que existe em nós se torna sal e luz para todos. Essas claras comparações falam da universalidade da terra, mundo, cidade sobre o monte. Jesus veio para a salvação de todos;  as “boas obras” estão na linha das bem-aventuranças, para a glória do Pai. Todo pequeno esforço para o bem não fica perdido: é como uma folhazinha de erva que contribui para tornar verde um campo. Tem-se hoje a tentação de desconhecer os pequenos valores, mas uma pequena luz ilumina um passo após o outro. Ser cristão é um empenho social, missionário. Não depreciemos a mais ínfima contribuição para a construção do reino: o oceano é feito de gotas!”  (Missal  Cotidiano da Paulus, p. 881).

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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