Niterói, 20/05/2012
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TEXTOS/ARTIGOS
Beatificação e Canonização

BEATIFICAÇÃO

Com a Beatificação pelo papa, a pessoa santa passa a ser chamada de Beato ou Beata (o mesmo que Bem-aventurado). Com a Beatificação permite que se preste culto público a essa pessoa, em determinadas regiões.

A beatificação surgiu no século XV, e era um privilégio concedido pelo Papa em previsão da futura canonização, permitindo que já se começasse a prestar culto a algum Servo de Deus em determinada região antes que fosse declarado santo. Nesses casos, a causa já se encaminhava para o seu fim, faltando apenas alguns dos vários milagres exigidos. No século XVII a beatificação acabou se tornando um passo obrigatório antes da canonização, e nesse sentido, muitas causas acabaram se encerrando com ela, já que os atores (da causa) não tinham mais interesse em prosseguir com os trabalhos necessários para a canonização. A beatificação passou a ser considerada uma fase completa, uma "mini-canonização", útil ao objetivo principal de poder prestar culto ao Servo de Deus na região onde ele era conhecido. Não obstante, a tendência da Igreja hoje é encarar a beatificação como um passo para a canonização, e não uma instituição completa em si. Por isso as causas são chamadas de "Causas de canonização", e não mais "Causas de beatificação" como acontecia até recentemente, antes da reforma de 1983. Juridicamente falando, a beatificação não é sequer mencionada na legislação atual, o que faz com que ela, teoricamente, não seja mais um requisito indispensável à canonização.

Nesse sentido tem grande importância a existência da beatificação, ou seja, declarar alguém Beato. O título de beato quer dizer que é permitido prestar culto público a um Venerável (Venerável é o servo de Deus cujo processo concluiu que ele viveu as virtudes cristãs em grau heróico). Uma das diferenças entre santos e beatos é que o beato tem o seu culto limitado a algumas regiões, enquanto que o santo é cultuado universalmente, em toda a Igreja. Assim, no que diz respeito à existência de culto público em determinada região, santos e beatos se equivalem. A beatificação já cumpre a nível regional a função principal da canonização, que é propor o exemplo e a intercessão de um servo de Deus. Em quais regiões pode ser cultuado um beato? Nos lugares onde ele viveu, ou seja: onde nasceu, onde viveu e onde morreu. Madre Paulina, por exemplo, quando era Beata, podia ser cultuada também na Itália, sua terra natal. Isso significa que, ao dizer que uma região precisa de santos, o papa não está se referindo somente aos santos canonizados, mas aos beatos dessa região. Eles são igualmente importantes nesse sentido.

A beatificação, como primeira etapa no caminho da canonização, é instituída em 1630. A beatificação autoriza o culto a um servo de Deus dentro de um determinado território ou família religiosa. Sabe-se que o primeiro a ser beatificado foi Francisco de Sales, em 1665, falecido em 1622.

A pesquisa canônica do processo trata particularmente de três pontos: a ortodoxia manifestada, sobretudo, nos escritos; o exercício heróico das virtudes teologais e cardeais; os milagres obtidos por sua intercessão. No caso dos mártires, são dispensados os milagres.

Até Paulo VI os papas reservavam para si apenas a celebração da canonização, ao passo que a beatificação consistia na simples leitura do decreto. Paulo VI quis salientar o caráter litúrgico também da beatificação. Ele mesmo passou a fazer a proclamação dos bem-aventurados durante a Missa. Bento XVI vem delegando Cardeais para presidirem a celebração da beatificação.

Quanto ao título dos beatificados, no Brasil, prefere-se o termo Bem-aventurado, Bem-aventurada, em vez de Beato, Beata «Beato e Beata entre nós têm uma conotação pejorativa de pessoa exageradamente devota, de pessoa piegas. »

CANONIZAÇÃO

O que é canonização ou canonizar. O termo "canonizar ou canonização" vem de cânon. Cânon significa "regra geral de onde se inferem regras especiais"; relação, catálogo, tabela; padrão modelo, norma, regra. Daí, canonizar significa "inscrever no cânon ou rol dos santos; declarar santo, proceder à canonização".

Canonização é o ato de canonizar. Em relação aos santos, canonização é a decisão papal que inscreve, solenemente, um membro do Corpo da Igreja, de excepcionais virtudes cristãs e pelos quais se operaram reconhecidos milagres, no número dos santos honrados pelo culto público.

Portanto, na canonização, não se trata de fazer santos, de santificar, mas de declarar alguém santo, inscrevendo-o na lista dos santos, que assim são propostos como modelos de vida cristã e por isso, objeto de culto público da Igreja.

Durante os primeiros séculos, estamos sempre diante de uma iniciativa da Igreja local, onde o sentimento do povo é ratificado pelo bispo depois de processo rudimentar.

Até o século X não se registra intervenção alguma da Sé Apostólica no reconhecimento do culto prestado aos santos.

Para dar maior brilho à exaltação dos santos, alguns bispos começaram a pedir que a proclamação fosse presidida pelo papa. O termo canonização não é anterior aos anos de 1120. Por volta de 1175, o papa Alexandre III declarou que não era permitido venerar publicamente alguém como santo sem a autorização da Igreja romana. Em 1134 as Decretais de Gregório IX reservaram ao papa o julgamento na matéria. Mesmo assim, algumas Igrejas particulares continuaram por vários séculos a efetuar canonizações.

Em 1588, após o Concílio de Trento, Sisto V instituiu a Congregação dos Ritos, dando-lhe a incumbência de exercer diligente cuidado em matéria de canonização dos santos e reservou à Congregação a direção exclusiva dos processos. Ao término de cada um desses processos, durante uma missa solene, o papa celebrava a canonização, já que o ato é essencialmente de ordem litúrgica.

A partir de 1584, quando o Martirológio se tornou livro oficial, cada santo novo passou a ser nele inscrito, cumprindo-se à risca o que prescreve a fórmula de canonização pronunciada pelo Papa: "Nós declaramos e definimos que o bem-aventurado N. é santo. Nós o inscrevemos no catálogo dos santos e decretamos que em toda a Igreja ele seja honrado entre os santos".

Não existe propriamente um Ritual de Canonização dos Santos. Ela se realiza numa Missa festiva de Ação de graças, dentro da qual é proclamada a fórmula de canonização pronunciada pelo Papa. O Prefeito da Congregação das Causas do Santos faz o pedido ao Papa. Segue-se a Ladainha de Todos os Santos e, em seguida, o Papa pronuncia a fórmula de canonização.

Pode-se dizer que a Celebração eucarística da canonização constitui a primeira celebração do Santo. A Palavra de Deus pode realçar a mensagem evangélica marcante vivida pelo santo, a homilia realçará a mensagem do bem-aventurado que solenemente vai ser declarado santo.

Depois, sim, pode ser elaborado um formulário de Missa em honra do santo canonizado. Pode ser em favor de toda a Igreja, para um país, uma região ou uma família religiosa. Tal formulário deve ser aprovado pela Sé Apostólica. Nem todos os santos canonizados são comemorados anualmente pela Igreja universal, nem todos recebem formulários de Missa própria. Costuma ser própria do santo ou do bem-aventurado a oração do dia, chamada coleta.

OS DIVERSOS TIPOS DE SANTOS

Os santos são os cristãos: - Para o Novo Testamento, sobretudo para São Paulo, santos são os cristãos. Santos são todos os que vivem a fé em Cristo Jesus, participando de sua vida, através dos sacramentos e da caridade. Sobretudo, através do Batismo e da Eucaristia, os cristãos são santificados, e como se expressam muitos santos Padres do Oriente, são "divinizados". Pela fé e pelo Batismo temos santos e santas também nas confissões evangélicas.

Os santos vivos:
- São aqueles e aquelas que hoje vivem em Cristo, sacramentalmente pela fé, a vida sacramental e a caridade. São santos também todos os que procuram fazer o bem e desta forma vivem em comunhão com o Santo, com Deus, pois onde o amor e a caridade, Deus está. São santos e santas que ainda vivem neste mundo.

Santos da glória dos céus:
- São todos os homens e mulheres que desde Adão e Eva e do justo Abel até nossos companheiros e companheiras de caminhada terrestre já participam definitivamente da vida, do amor e da glória de Deus, que já estão mergulhados no Santo para sempre, na Jerusalém celeste, no paraíso definitivo. Ser santo não é privilégio dos cristãos que viveram explicitamente a fé em Cristo, na Igreja e pela Igreja. Cristo Jesus morreu e ressuscitou para santificar a todos os seres humanos, a toda a humanidade. Assim, todos os homens de boa vontade que procuraram o bem, a honestidade e a justiça também foram santos. Mesmo os que não conheceram a Cristo. Quem não reconhece, por exemplo, que Gande foi um grande santo? Pensemos em outras figuras humanas das grandes religiões. Existiram outros tantos homens e mulheres, mártires do bem e da justiça, nos povos primitivos, entre os nossos povos autóctones, os índios. Também eles e elas são santos e santas. São todos comemorados na Festa de Todos os Santos.

Os santos bem-aventurados ou beatificados:
- São aquelas pessoas falecidas, de reconhecidas virtudes, que são incluídas no rol dos bem-aventurados pela autoridade pontifícia. Ainda que de modo restrito, eles podem ser cultuados.

Os santos canonizados:
- São as pessoas falecidas inscritas solenemente no cânon ou no rol dos santos.

DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS

A primeira diferença entre a beatificação e a canonização é quanto ao tipo de ensinamento da Igreja. Quando o Papa declara alguém Beato isso é considerado um ensinamento oficial da Igreja a respeito dessa pessoa. O que isso quer dizer? Que ela viveu as virtudes cristãs de forma heróica, ou então, se é o caso de um mártir, que ela recebeu um martírio verdadeiro (chama-se declaração de magistério ordinário). Quando alguém é declarado santo é diferente: isso é feito de forma solene, com uma declaração infalível, que só o Papa ou os bispos todos do mundo inteiro unidos em Concílio podem fazer (Essa declaração é chamada declaração de magistério infalível, ou seja, é um dogma, é uma verdade irrevogável e definitiva). Quanto à vida virtuosa da pessoa, a canonização não acrescenta nada de novo ao que já foi falado na beatificação.A segunda diferença é quanto ao culto público que se presta a essas pessoas (culto público são as orações oficiais e públicas a essa pessoa em igrejas e oratórios, missas, veneração oficial de suas relíquias, etc.): com a beatificação a Igreja permite que se preste culto público ao Beato somente em algumas regiões, ou seja, nas regiões onde ele viveu, e na canonização esse culto é estendido ao mundo inteiro, é universal.

Agora as semelhanças: a primeira semelhança entre a beatificação e a canonização é que ambas falam que essas pessoas tiveram uma vida virtuosa e santa. A segunda semelhança é que, na região onde o beato viveu, ambas permitem ali o seu culto público.

VALORIZAR NOSSOS BEATOS!

O principal objetivo da canonização é propor o exemplo e a intercessão de um Servo de Deus. Esse objetivo se realiza de modo pleno através do culto público oficial da Igreja. Falando dos santos que viveram no Brasil, estamos pensando na utilidade pastoral dos fiéis que vivem em nosso país, pois, como dizia o Papa, "o Brasil precisa de santos, de muitos santos". Quanto ao culto público em determinada região, tanto beatos como santos cumprem essa função, e, nesse sentido específico, se equivalem. Embora a canonização seja superior à beatificação, convém ressaltar a importância da beatificação, e sua importante função. Nossos beatos estão no altar como os santos, e o seu exemplo e intercessão brilham para nós! Em qualquer lugar do Brasil podem ser dedicadas igrejas e capelas à sua intercessão, assim como procissões, preces e orações litúrgicas em nossas comunidades. Seu exemplo de vida evangélica pode ser proposto nas nossas homilias. Podemos receber a bênção com suas relíquias, e celebrar suas missas votivas. A beatificação tem assim importante função para a utilidade pastoral dos fiéis que vivem no Brasil. É importante ressaltar esse aspecto, pois culturalmente valorizamos somente a canonização, ou seja, aqueles que receberam o título de 'santos'. Talvez por nossa ignorância, talvez por falta de prática, deixamos de lado nossos beatos. Pastoralmente nossos beatos já fazem parte da vida litúrgica de nossas comunidades, o que significa o cerne de nossa comunhão eclesial, ou seja, de nossa participação na vida na Igreja. É assim que convém apresentar aos fiéis os nossos beatos, enfatizando a sua importância para a vida eclesial e litúrgica do Brasil. Permanecer no grau de beatos não é desmerecimento algum a um Servo de Deus, mas uma questão de tempo... Gostaríamos, evidentemente, que todos os nossos beatos fossem um dia canonizados, mas, mesmo que isso não acontecesse, continuariam a ter para nós a altíssima relevância a que foram elevados. Pastoralmente, para nós no Brasil, podemos nos atrever a dizer que esses nossos beatos já estão "completos".

Fonte: www.santosdobrasil.org / www.itf.org.br


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