Niterói, 06/09/2010
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TEXTOS/ARTIGOS

Meditando sobre a vida de Santo Antônio – 3ª parte

 

٠O Bem Aventurado Santo Antônio estava cansado de tanto andar, pregando a Palavra de Deus. Era muito conhecido e, quando chegava a uma cidade, fechava-se o comércio para permitir a todos que escutassem seus sermões.
Sentindo que a morte estava perto de chegar, decidiu empregar todo o tempo possível na contemplação e na oração.
Pediu para que permitissem, a ele e a alguns irmãos, construir choupanas na floresta, perto de Pádua, a fim de que, na solidão daquele lugar, pudessem aplicar-se à oração e a contemplação.
Assim, no silêncio das selvas, levantaram uma cela para Antônio; a última morada de um homem que tinha nascido num palácio.
No ano de 1231, o dia 13 de junho caiu numa sexta-feira. Ao meio-dia, Antônio, foi tomar parte na refeição comum. Sentiu, de repente, muita fraqueza, e seus companheiros o retiraram da mesa, carregado. Achando que na cidade ele receberia melhor assistência na sua doença, levaram-no para Pádua. Faleceu no caminho, depois de se confessar e receber a unção dos enfermos.
Antônio sentiu como São Paulo, aproximar-se o dia de partida para a casa do Pai, como o apóstolo, combateu o bom combate, conquistando assim a palma da Vitória.

٠ Santo Antônio foi pregar na cidade de Rímini, onde dominavam os hereges que resolveram não ouvi-lo em hipótese alguma. Frei Antônio subiu ao púlpito e quase todos se retiraram e fugiram. Não esmoreceu e pregou aos que tinham ficado. Inflamado pela inspiração divina, falou com tal energia que os hereges presentes reconheceram seus erros e resolveram mudar de vida. Mas o Santo não estava contente com o resultado parcial. Retirou-se para orar em solidão, pedindo ao Altíssimo que toda a cidade se convertesse. Saindo do retiro, foi direto às praias do Mar Adriático e, em altos brados, clamou aos peixes que o ouvissem e celebrassem com louvores ao seu supremo Criador, já que os homens ingratos não queriam fazê-lo. Diante daquela voz imperiosa, apareceram logo os incontáveis habitantes das águas e se distribuíram ordenadamente, cada qual com os de sua espécie e tamanho. Os peixes ergueram suas cabeças da água e ficaram longo tempo imóveis a ouvi-lo..

٠ Santo Antônio faleceu à caminho de Pádua, e quando seu corpo lá chegou, as crianças corriam pelas ruas gritando: “O santo frade Antônio morreu! O santo frade Antônio morreu!.
Santo Antônio deixou para nós muitos ensinamentos. O principal, sem dúvida, foi seu amor a Deus e aos irmãos.
Um detalhe que chama bastante a nossa atenção foi seu amor à Sagrada Escritura. Durante toda a sua vida estudou os livros sagrados e ensinava a Bíblia aos frades. Nos sermões, gostava sempre de relatar as palavras e os fatos de Jesus. Naquele tempo, ter um livro não era tão fácil como hoje. Mas, Antônio tinha uma Bíblia, em cujas margens ia anotando seus estudos, lições, comparações e pensamentos.
Para Santo Antônio, a Bíblia era uma luz que ilumina a história de hoje. Nas imagens de Santo Antônio, ele está conversando com o Menino Jesus e tem um livro na mão; esse livro é a Bíblia.
Ele continua a nos transmitir esta mensagem: seus verdadeiros devotos lêem e amam a Bíblia.

٠ Aproximou-se de Santo Antônio uma mulher trazendo nos braços um filho paralítico de nascença e rogando em altos brados que o curasse. O Santo manifestou certo desagrado por aquela forma ruidosa de pedir, mas a mulher continuou a implorar. Tanto ela pediu e suplicou que este afinal, fez sobre o menino paralítico o sinal da cruz, curando-o imediatamente. Com modéstia, atribuiu o milagre à fé da boa mulher e recomendou-lhe que não contasse o ocorrido a ninguém enquanto ele fosse vivo.

٠ "A oração é o coração que se eleva, o coração elevado... esse é o coração de alguém que ama, de alguém que tem desejos ardentes, de alguém que contempla, desprezando as coisas terrenas. Quem reza, assemelha-se a um pássaro que orienta o voo para as alturas; da terra desprende o voo e vai se imergir nos espaços celestes" (Sermones 111, p. 201).
"O Senhor se manifesta àqueles que se reco­lhem na paz e humildade do coração. Numa água turva e agitada não aparece o rosto de quem ali for se espelhar. Portanto, se desejas que a face de Cristo se retrate na tua face (para seres, assim, um verdadeiro cristão), então pára, recolhe-te em si­lêncio, fecha as portas da alma ao barulho das coisas exteriores" (Sermones III, p. 237).
"Deus jamais deve sair da nossa mente, da mesma forma com que não existe um só instante em que não estejamos sendo objeto da sua soli­citude paterna. A oração constitui um todo único com a vida toda do homem: ela é contrição do coração, é profissão de fé e louvor, é execução de boas obras, é o amor de Deus e do próximo, é prática harmoniosa de uma vida ativa e con­templativa, é realização da perseverança final" (Sermones l, p. 13).

Trezena de Santo Antônio 2010, da Porciúncula de Sant´Ana

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