Niterói, 06/09/2010
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TEXTOS/ARTIGOS

Meditando sobre a vida de Santo Antônio – 2ª parte

 

٠ A primeira vez que Antônio pregou foi num dia em que os outros padres, que estavam presentes na igreja, não queriam que ele pregasse.
Mas, falou tão bem, que todos ficaram entusiasmados. Daquele dia em diante, multidões de homens e mulheres procuravam escutá-lo. O seu auditório contava, às vezes, com mais de trinta mil pessoas.
Na pregação, Antônio insistia, como João Batista, na necessidade da conversão, da mudança de vida. Muitas vezes, depois que acabava de pregar, o número de pessoas que queria confessar-se era tão grande que não havia, nas redondezas, sacerdotes bastantes para ouvir as confissões dos que queriam mudar de vida.
Um homem muito idoso contava deste jeito seu encontro com Antônio: “Eu era ladrão de profissão. Pertencia a uma quadrilha de doze ladrões. Vivíamos no mato e assaltávamos todos os que passavam. Tendo ouvido a fama da pregação de Antônio, resolvemos ir, disfarçados, ouvir o sermão dele. Assim que escutamos as suas palavras, começamos a sentir remorso e contrição dos nossos pecados e crimes e decidimos mudar a nossa vida”.
Antônio, movido pela força do Espírito Santo, tornou-se um exímio anunciador da Palavra de Deus.

٠ O amor para com Deus e o amor para com o próximo são a mesma forma de amor, porque Deus é caridade, isto é, Amor. Este mandamento do amor, segundo o qual deves amar a Deus por ser quem ele é e de todo o coração e ao próximo como a ti mesmo, foi determinado por Deus e deves praticá-lo com a mesma intenção e pelo mesmo motivo pelo qual tens de amar a ti mesmo. Deves amar a ti mesmo dentro do bem e por causa de Deus; o mesmo deves fazer em relação ao teu próximo. E deves considerar como teu próximo todo e qualquer ser humano, porque não existe nenhum com o qual se possa proceder mal. Como é que se deve amar a Deus? Assim: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, isto é, com toda a inteligência; com toda a alma, isto é, com a tua vontade; com toda a mente, isto é, com a memória, de maneira que concentres todos os pensamentos, toda a vida, toda a inteligência naquele do qual recebes o que lhe ofereces.Com o que acabou de dizer, Jesus não deixou livre, então, nenhuma parcela da nossa vida: tudo o que nos vier à mente deve ser dirigido para onde corre o impulso do nosso amor.São João, na sua primeira carta sobre o amor a Deus e ao próximo, nos apresenta muitas reflexões e nos convida a praticá-lo, dizendo: 'Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo para dar-nos a vida por meio dele' (1 Jo 4,9).Como foi grande o amor do Pai para conosco! Ele enviou para nós, para nos favorecer, o seu Filho unigênito, para que, vivendo por meio dele, também O amássemos. Porque 'quem não ama, permanece na morte'.

٠ Uma noite, Antônio, sempre a caminho para pregar a Palavra de Deus, pediu hospedagem numa mansão.
Depois do jantar, recolheu-se ao seu quarto e, como sempre, continuou a rezar durante a noite.
Subitamente, foi envolvido por uma luz e apareceu Jesus Menino para conversar com ele.
O dono da casa, que tinha oferecido hospedagem a Antônio, reparou a luz extraordinária que enchia a casa e viu a visão com os próprios olhos.
Por isso, as imagens de Santo Antônio nos apresentam o santo com o Menino Jesus nos braços, para nos lembrar da intimidade que existia entre Jesus e o santo e para nos incentivar a ter mesma amizade com Jesus.

٠ Muitas vezes, Antônio reúne à sua volta grupos de crianças e explica-lhes em linguagem simples as coisas de Deus:
- Era uma vez um rei - conta Antônio às crianças - que possuía muitas coisas maravilhosas. Entre elas, a que mais amava era um anel todo de ouro com uma preciosa pedra cintilante. Ora, aconteceu que um dia o rei, ao passar por um brejo, perdeu o anel.
- Como é que isso aconteceu? - pergunta um menino que o escutara todo o tempo boquiaberto.
- O anel escapou-se do dedo - responde Antônio com um afável sorriso - e foi direitinho para a poça de lodo.
- E depois? E depois? - perguntam as crianças impacientes.
- Então o rei - continua Antônio - ficou muito preocupa­do. E perguntava a si próprio: Onde é que eu agora encontro um homem que me vá procurar o anel dentro da poça?
- Essa poça era funda? - querem as crianças saber.
- Muito - responde Antônio com um sorriso misterioso.
- E depois? E depois?
- O rei ordenou a um dos seus soldados: Desça àquela poça e procure o anel que perdi. Senhor - respondeu o soldado - pedi-me que combata por vós, mesmo até a morte, e obedecer-vos-ei, mas não me peçais que desça àquela poça profunda e cheia de lama. Então o rei despiu as suas preciosas vestes e entrou na lama. Depois de muito procurar encontrou finalmente o seu anel.
- Que linda história! - comentam as crianças - já acabou?
- A história é bonita, mas agora prestem bem atenção. Aquele anel é o homem e a pedra preciosa a sua alma. O homem caiu na lama do pecado. Deus procurou dentre os anjos um que estivesse disposto a entrar naquela poça. No fim enviou o seu Filho Jesus que, com a sua morte e ressurreição, livrou o homem da lama do pecado...
É com parábolas semelhantes que Antônio educa na fé as crianças que, em número cada vez maior, acorrem para ele e se atropelam ao seu redor.
Antônio ama as crianças e realiza numerosos milagres em seu favor. Em Pádua vive uma menina de cinco anos. É paralítica de nascença. Tem os membros encolhidos e um rosto lindíssimo. Os pais consideram-na um tesouro precioso.
Um dia o pai sai com a menina nos braços para tomar um pouco de ar e distraí-la. Pelo caminho, encontra, por acaso, Antônio que regressa ao convento na companhia de frei Lucas. O homem ajoelha-se no meio da estrada diante dos dois frades e, mostrando a menina a Antônio, suplica-lhe dizendo:
- Salve a minha filha! Cure-a! Faça com que possa caminhar como as crianças que correm para o senhor.
Antônio fica comovido pelas palavras tão sinceras e angustiadas daquele pai desesperado. Acaricia a menina e depois traça na sua fronte o sinal da cruz.
- O Altíssimo teve piedade desta inocente - diz Antônio! – Vá em paz, a sua filha está salva.
O homem precipita-se para casa e grita à mulher:
- Encontrei o Santo! Ele curou a nossa filha!
- Como é que você sabe que ela está curada se você a está segurando no colo?
O homem então coloca a pequenina de pé junto de um banco para que possa apoiar-se. Em seguida, afasta-se alguns passos.
- Não cai, não cai – grita a mulher.
- Ela consegue ficar de pé, viu? – diz o homem.
A menina, entretanto, em vez de se apoiar no banco, dá alguns passos em direção aos pais. Depois, mantendo os pequeninos braços abertos, corre ao encontro da mãe, rindo.
E o homem, tomado pela alegria, corre, por sua vez, para a rua e grita a todos os que passam:
- O Santo fez um milagre! A minha filha agora já está andando! A minha filha agora já está correndo. Venham vê-la!...
São tantos os milagres a contar... E todos mostram o enorme amor que Antônio tem pelas crianças inocentes.

٠ Continuando a narração de fatos da vida de Santo Antônio, hoje vamos destacar a maneira com que pregava o Evangelho. Ele não tinha medo de ferir os outros. Sua preocupação era com a verdade:
Um rico senhor morreu. Durante sua vida terrena tinha acumulado grandes riquezas, sem escrúpulos, aproveitando-se dos fracos, explorando os pobres. Antônio, na pregação, condenou as ações do rico, lembrando aquele trecho do Evangelho em que Jesus afirma que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (MT 19,24). A família do finado ficou furiosa. Então, Antônio dirigiu-se à casa do falecido e, diante de todos, mandou que abrissem o cofre forte, pois aí encontrariam o coração daquele que morrera. Contam que os presentes insistiram em verificar. Aberto o cofre forte, depararam com o coração pulsando em meio ao dinheiro.
Antônio seguia sempre o que São Paulo exortava em sua carta a Teófilo: “Prega a Palavra, insista, quer agrade ou desagrade”.

٠ Vinha Frei Antônio e um companheiro de volta pelo caminho de uma aldeia, carregando grande peso às costas, quando encontrou no caminho um carroceiro que carregava um homem adormecido. O Santo, muito cansado, pediu-lhe por amor de Deus que levasse alguns víveres que ele e seu companheiro haviam recebido de esmola para o sustento da comunidade. O carroceiro respondeu rudemente que não podia fazê-lo porque estava conduzindo um defunto. O Santo acreditou, rezou pelo descanso eterno da alma do falecido e continuou seu caminho. Qual não foi o espanto do carroceiro quando, mais tarde, foi acordar o amigo que supunha adormecido e o encontrou realmente morto. Confuso e arrependido foi em busca de Santo Antônio e prostrou-se aos seus pés, pedindo-lhe humildemente perdão. Frei Antônio compadeceu-se do homem, aproximou-se da carroça e depois de uma curta oração, fez o sinal da cruz sobre o cadáver e o ressuscitou.

Trezena de Santo Antônio 2010, da Porciúncula de Sant´Ana
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