Niterói, 06/09/2010
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TEXTOS/ARTIGOS

Meditando sobre a vida de Santo Antônio – 1ª parte

 

٠ No dia 15 de agosto de 1195, em Lisboa, Portugal, nasceu aquele que seria Santo Antônio. Foi batizado com o nome de Fernando. No dia do batismo, a mãe consagrou-o a Deus e a Nossa Senhora. O pai era governador de Lisboa e, por essa razão, o menino tinha contato fácil com o luxo e com a vida palaciana.
Todos podemos imaginar o ambiente de orgulho e ostentação que reina nesses lugares. O nosso Fernando passou vitorioso em meio a essas tentações, Conservando-se humilde e desligado do luxo e das riquezas, sempre compreensivo e atencioso para com todos. Para ele, responder ao chamado para seguir bem de perto o Senhor, não foi fácil. Mas superou todas as dificuldades com oração e com força de vontade.

٠ Certo dia, faltando alimentos no Convento de Briba, Frei Antônio mandou que fossem pedir a uma senhora devota, proprietária de uma grande propriedade, a esmola de algumas verduras. Apesar de estar chovendo fortemente, a piedosa senhora ordenou a uma criada que fosse apanhar as verduras na horta, distante da casa. A criada obedeceu contrariada, pois chovia muito. Foi quando se deu conta de que, apesar da chuva torrencial que caía, não estava molhando nem os pés, nem as roupas que vestia. Chegou à horta, colheu as verduras, foi entregá-las no convento e retornou à casa completamente seca. Tanto ela quanto sua senhora ficaram assombradas diante daquele prodígio e não cessaram de contar a todos os altos merecimentos do Santo.

٠ Santo Antônio, ainda conhecido como Fernando, queria responder ao chamado de Deus, que o convidava a segui-lo mais de perto. Por isso, aos 15 anos de idade, decidiu tornar-se padre.
Entrou no convento dos Agostinianos. Ingressando nessa comunidade, renunciou a todos os direitos e às propriedades do pai.
Lá passou dez anos estudando, sobretudo, a Sagrada Escritura. Desejava, porém, dedicar-se sempre mais ao serviço do Senhor.
Conheceu, naquele tempo, os franciscanos, bem como a vida pobre que levavam. Acompanhou o episódio dos cinco frades, que deixaram sua terra para pregar o Evangelho aos muçulmanos e que foram martirizados por seguirem Jesus e pregarem a sua Palavra.
Ao saber desse fato, Fernando se decidiu. Deixou o convento em que estava e onde tinha uma vida confortável, e ingressou no convento dos franciscanos, desejoso de ser enviado à terra estrangeira para pregar o Evangelho e talvez morrer, dando a vida por Jesus e pelos irmãos.
Ao entrar na Ordem dos franciscanos mudou seu nome para Antônio, para significar que estava vivendo uma vida totalmente nova.

٠ Alguns hereges resolveram matar Santo Antônio, envenenando-o. Convidaram-no para comer com eles, dando como pretexto debater sobre alguns pontos da fé. Santo Antônio sempre aceitava comparecer a esses debates e polêmicas. Os hereges puseram diante dele, entre outros pratos, um que continha veneno mortal. Antes que o tocasse, Deus revelou-lhe a cilada e o Santo, conservando toda a calma, repreendeu os hereges pela traição. Vendo revelado o intento perverso, os hereges não se abalaram e responderam cinicamente: "É verdade que esse prato tem veneno, mas nós o colocamos aí porque desejamos fazer uma experiência: no Evangelho está escrito que Jesus Cristo disse aos seus discípulos que ainda que tomassem veneno mortal nenhum mal sofreriam e estamos querendo saber se é de fato discípulo de Cristo. Santo Antônio fez o sinal da Cruz sobre aquele prato e o comeu com apetite, saboreando a comida envenenada como se fosse alimento saudável, e nada sofreu, deixando mais uma vez os hereges confusos e assombrados.

٠ Antônio tinha decidido entrar na Ordem dos franciscanos para tornar-se missionário no estrangeiro, pregando a Palavra de Deus, disposto a tudo, até a morrer por causa do Evangelho.
Em 1220, Antônio, com um companheiro, deixou sua terra. Embarcou em Lisboa e foi navegando para a África. Mal havia posto pé em terra, apanhou uma febre que o manteve prostrado vários meses.
Quando ficou bastante forte para poder viajar, voltou para sua terra. Durante a sua permanência na África, não pregou um só sermão, não converteu um só muçulmano, não derramou uma só gota de sangue por Cristo.
A primeira tentativa de frei Antônio foi um total fracasso.
Antônio não conseguiu realizar o seu desejo de ser missionário, sua saúde foi abalada e teve que retornar a sua terra, Lisboa. Porém, não desanimou, encontrou estímulo no Evangelho.
Sim, Santo Antônio teve muitos sucessos, como também insucessos em sua vida! Só que ele, em sua visão de fé, não permitia que estes lhe ofuscassem a alegria de viver e de amar, sendo fiel à sua vocação.

٠ Em Arezzo vivia um homem nobre, mas tão colérico que quando se irritava parecia perder o juízo. A esposa, senhora de muito siso e prudência, teve um dia a infelicidade de proferir umas palavras que irritaram o marido, a tal ponto que ele se atirou sobre ela, espancando-a cruelmente, chegando a lhe arrancar os cabelos. Com os gritos da infeliz, os vizinhos correram para ajudá-la, deixando-a quase morta na cama. O marido, depois de serenar, envergonhou-se do que tinha feito e, lembrando-se da fama de Santo Antônio, foi procurá-lo arrependido, pedindo que o ajudasse. O piedoso Santo foi logo procurar a senhora, abençoando-a e, fazendo o sinal da cruz sobre ela, começou a rezar. Pouco a pouco ela foi recuperando o antigo vigor e milagrosamente, quando se ajoelhou aos pés do Santo, renasceu todo o cabelo.

٠ Santo Antônio, sem dúvida, teria ficado muito abatido com a volta para sua terra. Retornando da África, uma tempestade desviou o navio em que viajava para outra terra: Sicília, na Itália.
Depois de recuperar-se, dirigiu-se ao encontro de São Francisco de Assis e, daí, foi para outras cidades.
Sempre com os irmãos franciscanos, viveu de verdade a pobreza.
Reparou, no entanto, que no convento todos trabalhavam; só ele ficava rezando e estudando a Sagrada Escritura. Os outros irmãos achavam natural ele viver assim, porque era padre. Mas, um dia, ele apareceu na cozinha e pediu ao cozinheiro que o deixasse ajudar na lavagem dos pratos, a tirar a mesa e a lavar o chão depois do jantar.
Antônio não se conformou só em viver em oração e no estudo das Sagradas Escrituras, quis também a exemplo do Divino Mestre, colocar-se a serviço da própria comunidade franciscana, e por isso, empolgado pelos ensinamentos de Jesus, o realizou plenamente.
Santo Antônio descobriu o equilíbrio entre estudo, oração, trabalho e descanso. É um exemplo para nós, que também precisamos ter esse equilíbrio, a fim de manter a saúde do corpo e do espírito. E dessa forma teremos as melhores condições de amar e servir a Deus.

٠ Santo Antônio tinha um coração largo e generoso para com os pobres necessitados. Preferia ele passar necessidade, mas não ver um pobrezinho sem comida. Um dia ele chegou a distribuir aos pobres todo o pão do convento em que vivia. Chega­da a hora do almoço, o frade cozinheiro ficou apavorado. Os pães que ele tinha feito de manhã tinham sido "roubados". O que é que os frades iriam comer para acompanhar a frugal re­feição de cada dia? Foi logo contar a "triste notícia" ao superior, frei Antônio. Este, sorrindo, lhe disse: "Mas você olhou bem mesmo, na caixa dos pães? Vá lá, vá! E verifique bem". O frade foi e voltou espantado, mas sorridente e alegre. Os cestos trans­bordavam de pães, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres que depois vinham ao convento. Até hoje os fiéis colocam um pedacinho de pão bento de Santo Antônio na vasilha do arroz ou do feijão e não se esquecem de ajudar os pobres. E assim, nunca lhes faltará o que comer.

Trezena de Santo Antônio 2010, da Porciúncula de Sant´Ana
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