Niterói, 06/09/2010
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Ação de graças pelos 10 anos do SEFRAS




Todos os Definidores, o Vigário e Ministro Provincial paralisaram a reunião do Definitório que está em andamento na sede da Província da Imaculada, na Vila Clementino (SP), para participar, nesta quarta-feira (7/07), da Celebração de Ação de Graças pelos 10 anos de fundação do Serviço Franciscano de Solidariedade, Sefras. Além de agradecer a Deus por este momento histórico, Dom Tarcísio Scaramussa, Bispo Auxiliar de São Paulo da Região Sé, abençoou a nova sede do Sefras, ao lado da Igreja do Pari. Mas este momento teve outro significado especial: a oficialização da nova entidade, a Associação Franciscana de Solidariedade, que passa a se responsabilizar pelo trabalho social na Província da Imaculada.

Frei Miguel da Cruz conduziu a celebração e pediu logo no início que o Definidor Frei Mário Tagliari fizesse um breve histórico do Sefras nesta década. Frei Mário, que por mais de 7 anos ajudou a organizar este serviço na Província, lembrou que o Sefras não é algo novo na Igreja e no franciscanismo. "São Francisco de Assis nos deixou o grande legado de que nosso lugar é estar com os empobrecidos e marginalizados, como fez no início de sua conversão, quando abraçou o leproso", disse.

Segundo o Definidor, nos 800 anos da Ordem Franciscana, os conventos e igrejas sempre foram referências para os mais pobres e necessitados. No Brasil, até 1988, o trabalho social era feito praticamente pela Igreja e só a partir da Constituição é que ganhou uma legislação social. "O Sefras possibilitou que esses trabalhos, voltados para a promoção humana e assistência social, deixassem de ser iniciativas isoladas, mas ganhassem corpo dentro de uma entidade que reunisse todos os serviços e projetos", explicou.

Frei Mário ressaltou que o Sefras foi uma construção coletiva e ganhou forma a partir de uma assembleia onde o tema principal era: "Que Sefras queremos?". A partir daí, nasceu a missão, visão e os valores franciscanos. "Então, esses trabalhos passaram a ser expressão da evangelização solidária, da ação social organizada da Província".

Para o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, o Sefras ajudou, principalmente aos frades menores, a pensar melhor esta problemática social que enfrentavam diante das portas dos conventos e, às vezes, sem saber dar uma solução. "É fácil dar o pão todos os dias. Mas a pessoa continua com fome amanhã, depois, assim por diante. Creio que o Sefras nos ajudou, nos educou, como frades menores, a começarmos a olhar a realidade do humano com outros olhos. Uma outra visão", assinalou.

Segundo o Ministro, o Sefras ensinou a fazer este trabalho coletivo e agradeceu a todas as pessoas que estiveram envolvidas nestes dez anos, especialmente os frades, as irmãs religiosas, os voluntários (as) e os benfeitores. "Há pouco vimos a imagem desta grande cidade de São Paulo. O que é o Sefras dentro desta cidade, vamos chamar assim, maluca? Precisamos acreditar, precisamos crer. Então creio que a construção, que assim foi sendo elaborada ao longo desses 10 anos, nos ajudou, sobretudo, a nos posicionarmos de uma nova forma, de uma nova maneira. Hoje, o Sefras está um pouco mais enxuto, talvez seja melhor, mas a paixão pelo pobre nunca pode desaparecer do nosso coração, da nossa vida", disse.

"Queremos, assim, trabalhar, construir, porque uma planta não nasce perfeita, nem o fruto nasce maduro. Se a gente, amanhã ou depois, quer ter grandes colheitas, precisamos semear. E o Sefras está semeando. Nunca, sozinhos, nós, frades menores, mas sempre de mãos dadas", acrescentou Frei Fidêncio, encerrando com um agradecimento especial a D. Tarcísio pelo apoio da Arquidiocese de São Paulo.

D. Tarcísio, por sua vez, fez uma reflexão partindo do Evangelho do Bom Samaritano. "No contexto desta inauguração, eu sou tentado a dizer que esta inauguração é um exemplo do bom franciscano", observou, lembrando a todos que o Cardeal D. Odilo Scherer está em Roma e telefonou especialmente para ele representá-lo nesta celebração. "Ele manda um abraço, oração e agradecimento aos frades menores por esta presença, por continuar o carisma de São Francisco na Igreja e nesta realidade de São Paulo, como foi ressaltada aqui em vários momentos, tão necessitada desta presença", acrescentou.

"O bom samaritano, segundo o ensinamento de Jesus, é esse que se faz próximo e expressa todo o seu amor, a sua misericórdia, a sua compaixão. Então, o Sefras é essa expressão do carisma franciscano, que é uma forma de viver e atualizar o Evangelho nos dias de hoje", completou.

Novos rumos
Frei José Francisco de Cássia dos Santos, animador provincial do Sefras e agora diretor-presidente da nova entidade, fez memória, neste momento histórico, de Frei Augusto Koenig, ex-Ministro Provincial, que faleceu anteontem e foi o fundador da Comunidade Missionária dos Sofredores de Rua, que deu origem ao Sefras no Convento São Francisco, no Centro. "Nesse tempo todo, como Provincial, ele deu apoio para que o trabalho social fosse levado adiante".

Frei José enfatizou o momento de louvor, ação de graças que o Sefras vivia e disse que a Província conduziu durante todos esses anos os trabalhos das obras sociais, "com muito zelo”, mas que os tempos exigiam novas organizações e adaptações. "Então, atendendo a essas demandas, a Província faz uma reestruturação administrativa da sua forma civil de se organizar. E com isso, criamos a Associação Franciscana de Solidariedade, que tem como função continuar ou servir como instrumento administrativo das obras sociais. Isso não significa que o Sefras deixou de ser Sefras. Não mudou nada. Nós, os frades, as pessoas envolvidas nos trabalhos, continuamos o compromisso que temos com os mais necessitados", explicou Frei José, que assumiu o Sefras em 2007, quando Frei Mário foi eleito para o primeiro mandato de Definidor.

Frei José ainda detalhou que a organização não é só jurídica, mas física também, com a inauguração da nova sede do Pari, ao lado da Igreja do Pari e do campus da Universidade São Francisco (USP), que reúne os escritórios administrativos e a Central de Doações.

Frei José Francisco também usou a parábola do Bom Samaritano para explicar o papel do Sefras hoje. "Durante esse tempo todo, a Igreja fazia o papel do bom samaritano e do dono da pensão. Penso que, hoje, o dono da pensão é o Estado, que tem bastante postos para fazer a proteção social e cuidar do cidadão. Nós, enquanto Igreja, devemos estar ali na perspectiva da solidariedade, fazendo o papel do samaritano. Aquele que percebe o sofredor e, ao mesmo tempo, faz com que a pensão funcione. Penso que não podemos ter medo dessas relações todas. É esse embalo, esse sonho, que temos, até de forma atrevida", completou Frei José, agradecendo o Professor da USF, Carlos Ferrara, representando Frei José Antônio Cruz Duarte, presidente da Casa Nossa Senhora da Paz.

A celebração contou com a presença de frades de todo o Regional de São Paulo, especialmente os guardiães do Convento São Francisco, Frei Salésio Hillesheim, e do Convento do Pari, Frei Gilmar José da Silva, funcionários (as) do Sefras, voluntários (as) e representantes da Comunidade do Pari.

BREVE HISTÓRICO
A Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, ao longo da sua história, sempre realizou o atendimento à população carente em seus conventos e paróquias. Com o processo de construção da Política Nacional de Assistência Social, reconhecida como direito na Constituição de 1988, a Província buscou, então, organizar os trabalhos realizados na área social.

Em 2000, o Capítulo Provincial criou o Departamento de Obras Sociais, ligado ao Secretariado de Evangelização, responsável em organizar e articular os trabalhos desenvolvidos na área social. Em 2002, o Departamento receberia o nome de Serviço Franciscano de Solidariedade – Sefras, inaugurando seu escritório central na Rua Riachuelo e escolhendo o seu logotipo.

O Triênio de 2001-2003 tem como coordenador Frei André Gurzynski, que organiza os projetos e serviços nos eixos da Promoção e Defesa da Cidadania, Inserção no Mercado de Trabalho e Formação Integral, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Para o Triênio de 2004-2006, Frei Mário Luiz Tagliari é eleito coordenador do Sefras, organizando seu planejamento com objetivos e metas de trabalho. Com isto, o foco do triênio volta-se à organização e à qualificação dos seus serviços e projetos.
O Capítulo Provincial de 2006 aprova a mudança de natureza do Sefras: ele deixa de ser um Departamento do Secretariado de Evangelização para se tornar um Serviço Provincial, ligado diretamente ao Governo Provincial. Para o Triênio 2007-2009, Frei Mário Luiz Tagliari permanece como Animador Provincial, acumulando a função de Ecônomo e Definidor Provincial, o que dificultou sua atuação no Sefras. Em agosto de 2007, acolhendo a indicação da Assembleia do Sefras, foi nomeado o novo Animador – Frei José Francisco de Cássia dos Santos.

Para este triênio acentuam-se as ações de organização dos serviços, de formação dos trabalhadores e voluntários, de participação nos espaços de controle social e de articulação política com movimentos populares, pastorais sociais e outras organizações.

Para o sexênio 2010-2015, além da necessidade da adequação dos trabalhos sociais do Sefras à legislação regulamentadora da Assistência Social, torna-se necessária uma reflexão profunda de que, ao longo dos seus dez anos, o Sefras tem se configurado não só como um trabalho comprometido com a promoção humana e a defesa da justiça, mas também como uma forma privilegiada de evangelização no contexto urbano.

Moacir Beggo
Fonte: site franciscanos

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