Niterói, 20/05/2012
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Muda o exame do Câncer de Próstata

Urologistas alertam: homens com 2,5 a 4ng/ml (nanogramas por mililitros) do PSA (sigla em inglês para antígeno prostático especifico, proteína que aumenta muito no sangue nos casos de câncer de próstata) devem ser vistos com atenção. Ate pouco tempo, homens PSA abaixo de 4 eram considerados saudáveis e tinham riscos de tumor reduzido. Outra novidade do diagnostico e que o exame de biopsia (na qual são retirados fragmentos de tecido), que causa muito incomodo, pode ser feito com anestesia venosa.

O urologista Ronaldo Damião, professor titular de urologia da Uerj, diz que avaliação da próstata para detectar o câncer deve ser feita nos homens a partir de 50 anos. Aqueles com historia tem maior risco e devem começar a fazer exames a partir dos 40.

Quem tem parente próximo com doença apresenta duas a cinco vezes mais riscos de desenvolver câncer. Alem do exame de toque retal e da analise do PSA, o ultra-som transretal e a biopsia ajudam a detectar precocemente o tumor, melhorando o prognostico.

Hoje, se indicam o ultra-som e a biopsia para homens mais jovens, abaixo de 50 anos, com dosagem de PSA acima de 2,5. Estudos mostram que 10% a 15% dos pacientes com câncer de próstata têm PSA entre 2,5 e 4. E a biopsia que antes era com anestesia local, já pode ser feita com anestesia venosa, proporcionando maior conforto – diz Damião.

Doença não causa sintomas na fase inicial

A quantidade de PSA aumenta de um a dois anos antes de a doença apresentar sintomas como sensação de não esvaziar completamente a bexiga após urinar, necessidade freqüente de urinar, principalmente à noite, e jato urinário fraco e fino. Mas nem sempre a elevação de PSA está associada ao câncer. Isso pode ocorrer devido à infecção ou ao inchaço da próstata, trauma na área do períneo (em geral causado por uso de bicicleta) manipulação endoscópica ou biopsia.

Neste caso, uso de antibióticos por 3 semanas, costuma baixar o PSA. Se este antígeno aumenta rapidamente em pouco tempo, não costuma ser câncer – comenta.

Segundo urologistas, o nível do PSA no sangue cresce, em média, 25% ao ano, e se o exame mostrar alteração nesse padrão é importante submeter-se à biópsia. Outro dado é a relação entre o PSA livre e o PSA total. Quando esta taxa for inferior a 16%, também é necessária a biópsia.

- Além desses parâmetros, hoje se leva em conta a densidade do PSA. Divide-se o valor do PSA total pelo volume da próstata. Se essa relação estiver abaixo de 20%, o médico indica a biópsia. Portanto, o diagnóstico deve levar em conta vários fatores – diz o urologista.

Damião explica que os tumores malignos de próstata podem ser hereditários ou esporádicos (90% dos casos).

- 10% dos casos são por alteração genética hereditária e o restante adquirida. É como se as células prostáticas tivessem perdido o direito de morrer e continuassem multiplicando-se de forma errada, sofrendo mutações – explica o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a possibilidade de controle da doença. Quando o PSA está acima de 10, o tumor já atacou os dois lados da próstata. E acima de 20, já produziu metástases.

- O fato de o câncer ser hereditário não significa pior prognóstico. Este depende inda do grau do tumor, que varia de dois a dez. Às vezes, o câncer é localizado, mas é de grau elevado. Estudos epidemiológicos já mostraram que a taxa de mortalidade devido ao câncer de próstata caiu muito, porque os médicos estão diagnosticando mais precocemente e tratando com mais eficiência – afirma.

O urologista Miguel Srougi, professor titular de urologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e autor de “Próstata: isso é com você”, também alerta para o diagnóstico precoce:

- As formas agressivas de câncer de próstata, quando não tratadas, levam dois a oito anos para se ramificar, dificultando o controle.

Retirada total da glândula é a primeira opção

Ele comenta que o crescimento benigno da próstata pode produzir aumento dos níveis do PSA, deixando o paciente apreensivo. Mas, nesses casos, os valores de PSA raramente ultrapassam 10ng/ml. E se novas dosagens forem repetidas com o passar do tempo, a velocidade de ascensão dessas taxas é quase inferior a 25% ao ano.

A primeira indicação para o controle do câncer de próstata localizado costuma ser a cirurgia de retirada da glândula, das vesículas seminais, dos gânglios linfáticos e ilíacos e pequena porção da bexiga em contato com a próstata (prostatectomia radical).

Outras alternativas são a radioterapia externa, a braquiterapia (implante de minúsculas sementes de iodo radioativo na próstata) e a crioterapia (destruição do câncer por congelamento da glândula). Em casos de doença disseminada, a saída é reduzir a produção de hormônio testosterona (que estimula o crescimento de células malignas).

Como prevenir e tratar os tumores

«Dieta»: Países com alto consumo de gordura animal têm alta incidência da doença. Populações que comem soja têm menos risco. Outros nutrientes foram associados à prevenção, como selênio, licopeno e vitamina E. O licopeno é encontrado nas frutas e nos vegetais vermelhos, principalmente tomates, e tem ação. antioxidante. A vitamina E parece retardar o crescimento tumoral. Segundo o urologista Miguel Srougi, como o risco de câncer é menor nos indivíduos com altas taxas de vitamina D, ele recomenda exposição regular ao sol.

«Opção de terapia»: A prostatectomia radical é a mais indicada, mas pode causar incontinência (pode ser revertida) e disfunção erétil (tratada com comprimidos orais. Injeções de substâncias vasodilatadoras ou implante de prótese). Segundo o urologista Ronaldo Damião, a braquiterapia (implante de semente radioativas é menos eficaz que a operação e é mais indicada para tumor de baixo grau e PSA abaixo de 10. Mas cada caso deve ser avaliado pelo o urologista).

«Futuro do tratamento»: Segundo Srougi, uma das pesquisas tenta inibir o aporte de sangue ao tumor, matando as células por falta de alimento e oxigênio. Outra linha de pesquisa é a terapia genética.

Saiba mais sobre o problema

A próstata é uma glândula que se localiza embaixo da bexiga e envolve a parte inicial da uretra. Ela pesa cerca de 30g e parece uma castanha. Sua função é fabricar um líquido que é eliminado no ato sexual juntamente com os espermatozóides (produzidos nos testículos).

As fases do tumor
O tumor maligno da próstata geralmente não causa sintomas e pode não se detectado apenas no toque retal. Exames como dosagem do PSA (antígeno prostático específico) e biópsia ajudam a diagnosticar a doença.

Sinais de alerta
São parecidos com o aumento benigno da próstata (hiperplasia):
* Sensação de não esvaziar completamente a bexiga após urinar;
* Necessidade freqüente de urinar;
* Jato urinário fraco e fino;
* Dificuldade para conter a urina;
* Necessidade de fazer força para começar a urinar;
* Levantar-se à noite para urinar.

Sintoma de risco
Presença de sangue na urina.

Fase mais grave
O tumor ainda está localizado na próstata, mas já é palpável ao toque retal. Numa fase mais grave, o câncer já se disseminou e invadiu os tecidos próximos. Se a doença não for tratada, avança (metástases) e ataca os gânglios linfáticos e outros órgãos distantes, como fígado, ossos e pulmões.

fonte: Jornal O Globo, do encarte Jornal da Família, de 21 de março de 2004

Dica: Molho de tomate faz bem

Um estudo da Universidade de Harvard demonstrou que homens que ingerem dez ou mais refeições por semana com alimentos ricos em licopeno, como salada de tomate, molhos de tomate e ketchup, vêem diminuir em um terço o risco de contrair câncer de próstata. Mas será que todo licopeno ingerido é aproveitado em nosso organismo? Alguns pesquisadores analisaram todos os produtos ligados ao tomate e tiveram uma grande surpresa. Eles verificaram que o consumo de molho de tomate – e não o tomate fresco – aumenta a concentração sanguínea de licopeno, sendo muito mais eficaz em reduzir o risco de câncer de próstata.

fonte: Revista Pro Teste – Ano V – Número 48 – Junho de 2006.

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