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Destaques, Notícias gerais › 15/10/2018

São Oscar Romero, exemplo e estímulo para a América Latina

Cidade do Vaticano – O Santo Padre recebeu, na manhã desta segunda-feira (15/10), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de cinco mil peregrinos de El Salvador e da América Latina, que vieram para a Canonização de Dom Oscar Romero, entre outros, realizada ontem, domingo (14/10), na Praça São Pedro. Ao saudar os milhares de fiéis, que vieram acompanhados por seus Bispos, sacerdotes e inúmeros religiosos e religiosas, o Papa recordou o exemplo do novo santo de El Salvador, Começando pelos Bispos, disse:

“São Oscar Romero soube encarnar, com perfeição, a imagem do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Por isso, agora e, sobretudo, desde a sua canonização, vocês podem encontrar nele ‘exemplo e estímulo’ no ministério que lhes foi confiado: exemplo de predileção, para os mais necessitados da misericórdia de Deus; estímulo para testemunhar o amor de Cristo e a solicitude pela Igreja. Que o santo Bispo Romero os ajude a ser, para todos, sinais da unidade na pluralidade, que caracteriza o santo povo de Deus”.

 

Inspirar-se no estilo de vida do novo santo

A seguir, Francisco dirigiu-se, de modo particular, aos numerosos sacerdotes e religiosos e religiosas de El Salvador, chamados a viver o compromisso cristão, inspirados no estilo de vida do novo santo, exortando-os a serem dignos de seus ensinamentos, sendo, acima de tudo, “servidores do povo sacerdotal”, como Jesus, o único e eterno sacerdote:

“São Oscar Romero concebia o sacerdote entre dois grandes abismos: o da infinita misericórdia de Deus e o da infinita miséria dos homens. Queridos irmãos, esforcem-se, sem cessar, para realizar este infinito anseio de Deus de perdoar os homens, que se arrependem de suas misérias, e abrir os corações de seus irmãos à ternura do amor de Deus, também mediante a denúncia profética dos males do mundo”.

Enfim, o Papa saudou, cordialmente, os numerosos peregrinos de El Salvador e de outros países latino-americanos, aos quais recordou a mensagem que São Oscar Romero deixou a todos, grandes e pequenos, sem exceção:

“Ele repetia, com vigor, que todo católico deve ser mártir, porque mártir significa dar testemunho da mensagem de Deus aos homens. Deus quer estar presente em nossas vidas e nos convida a anunciar a sua mensagem de liberdade para toda a humanidade. Somente nele podemos ser livres do pecado, do mal, do ódio em nossos corações; livres para amar e acolher o Senhor e nossos irmãos e irmãs. Esta verdadeira liberdade, aqui na terra, passa pela preocupação com o homem concreto, para despertar em cada coração a esperança da salvação”.

Paz e reconciliação a todos os povos da América Latina

Todavia, frisou Francisco, “sabemos bem que não é fácil agir assim”. Por isso, precisamos do apoio da oração e de estar unidos a Deus e em comunhão com a Igreja. São Oscar Romero dizia que “sem Deus e sem o ministério da Igreja isso não é possível”. Certa vez, referiu-se à Crisma como o “sacramento dos mártires”: “sem a força do Espírito Santo, os primeiros cristãos não teriam resistido às provações da perseguição, não teriam morrido por Cristo”.

Ao término de seu pronunciamento aos milhares de peregrinos e fiéis de El Salvador e da América Latina, o Papa disse ainda:

“Envio a minha saudação a todo o Povo de Deus, em peregrinação em El Salvador, que vibra, hoje, pela alegria de ver um de seus filhos elevado à glória dos altares. Seus habitantes têm uma fé viva, que expressa em diferentes formas de religiosidade popular e à qual conforma a sua vida social e familiar. Todos devem cuidar do Povo santo de Deus… não o escandalizem”.

Entretanto, acrescentou o Papa, não faltaram as dificuldades e o flagelo da divisão e da guerra. A violência fez-se sentir com veemência em sua história recente. Não obstante, este povo resiste e vai adiante, embora muitos foram obrigados a deixar suas terras em busca de um futuro melhor. E concluiu:

“A memória de São Oscar Romero é uma oportunidade excepcional para enviar uma mensagem de paz e reconciliação a todos os povos da América Latina”.

Estátua em Roma

No sábado (13/10), um dia antes da canonização, foi inaugurada uma estátua de Dom Oscar Arnulfo Romero no bairro de EUR em Roma. Dom Romero é o primeiro santo salvadorenho. A escultura foi feita pelo artista Guillermo Perdono. Na inauguração estavam presentes o presidente de El Salvador, Sanchez Ceren e a prefeita de Roma, Virginia Raggi, expoentes da Igreja Católica e do Corpo Diplomático de El Salvador.

A iniciativa nasceu com o objetivo de reforçar as relações entre os mais de 40 mil cidadãos salvadorenhos residentes na Itália, com suas raízes “através – segundo um comunicado da embaixada de El Salvador – do resgate da memória histórica, cultural e espiritual. Dom Romero, não é apenas uma referência histórica, é principalmente um guia espiritual de El Salvador, assim como uma referência para os direitos humanos”.

Na inauguração a embaixadora de El Salvador na Itália, Elizabeth Alas Guidos disse:

“ Não canso de repetir que se queremos efetivamente o fim da violência, é preciso partir da base de todas as violências: a violência estrutural, a injustiça social baseada em uma aberração da propriedade privada e em uma absolutização da riqueza que, além de tudo, procura defender com a repressão ”

 

A sobrinha Anita e o irmão Tiberio recordam Dom Romero

Depois da cerimônia de inauguração, o cardeal salvadorenho Gregorio Rosa Chavez abençoou a estátua. Entre as pessoas presentes estavam a sobrinha e o irmão de Dom Romero.

Expressando a sua emoção pela canonização de seu tio, a sobrinha Anita falou ao Vatican News: “É uma grande emoção saber que teremos um santo em El Salvador e também na família. É uma alegria tão grande que não sabemos explicar como foi possível receber de Deus este grande dom, de pertencer a esta família: a família de um Santo. Estamos contentes, agradecemos a Deus e a Igreja por isso. Para nós, tudo o que Dom Romero fez na vida foi viver o Evangelho, viver as Bem-aventuranças, a Bíblia”.

Em seguida, falando sobre os anos difíceis que vivia o país na época de Dom Romero, Anita disse que até hoje os dias são difíceis, mas como dizia o Santo “não se pode desistir, jamais perder a fé: sempre a verdade, sempre a verdade!”. A sobrinha de Dom Romero concluiu “quando a fé é forte não se pode desanimar porque ele nos deixou exemplos disso: continuar, ir adiante, lutar pela unidade e pela defesa dos mais indefesos”.

 

Fonte: site Franciscanos

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