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Artigos › 07/10/2017

Os frutos amargos das escolhas mal feitas

frutos_amargos“O que é que eu vou fazer com essa ‘tal liberdade’?”, perguntava a letra do pagode gravado pelo Grupo Raça Negra, sucesso na década de 1990. Traz uma grande questão existencial e filosófica que acompanha a humanidade desde que o mundo é mundo. Nas leituras deste 27º Domingo, duas parábolas vêm demonstrar quão desastrosos são os efeitos desta “tal liberdade” quando ela caminha apartada do discernimento.

O vinho azedo produzido pela vinha do amigo, cuidada com todo zelo e carinho, é um prenúncio do vinagre amargo que os torturadores ofereceram ao Cristo na Cruz. Os vinhateiros homicidas, por sua vez, ilustram a arrogância delirante do ser humano quando ele se julga proprietário daquilo que não é seu. Assim como a truculência dos poderosos do tempo de Jesus levaram ao derramamento do sangue de quem só fez o bem, cada escolha prepotente ou egoísta que fazemos, individual ou coletivamente, produz morte, injustiça e destruição.

Pensando-se em termos de uma ecologia integral, a humanidade, enquanto se deixa dirigir pela “força da grana”, demonstra-se uma péssima arrendatária da vinha que é o nosso planeta. A Terra sangra e, junto com ela, os mais pobres são os primeiros a colher os frutos azedos desta “hemorragia”: desemprego, doenças provenientes da falta de tratamento da água e do esgoto, falta de moradia, carência de áreas de lazer, invisibilidade social, indiferença globalizada em relação a refugiados, habitantes da periferia, pessoas sem escolaridade, moradores de rua, seres humanos subempregados ou escravizados.

E o que mais machuca é que não precisaria ser assim. Deus ofereceu aos cuidados do ser humano bens suficientes para que todos vivessem com dignidade. A “vinha” teria todos os requisitos para produzir frutos bem mais agradáveis.

O que nos anima é o fato de que a mesma “tal liberdade” que permite uma postura alienada de destruição também deixa aberta a porta da mudança para um modo – o Papa Francisco, na Laudato Si’, prefere chamar de “estilo” – de vida mais conforme ao sonho de Deus em relação à humanidade. É por esta fresta de esperança que devemos desejar seguir.

Frei Gustavo Medella 

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