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NOTÍCIA

26/07/2010

Sant´Ana, a vovó 10

Católico é folgado. Folgadérrimo. Não esquenta cabeça, sabe onde encostar o burro na sombra. Ele joga tudo nas costas dos Santos. Está sem namorado(a)? Acende uma vela a Santo Antônio. Não consegue sair do sufoco? Faz novena a São Judas. O timão está na pior? Bota São Jorge na linha. Por isso mesmo, o católico se sente tranquilo. Para cada situação, um santo, uma santa que dá jeito na confusão. Até mesmo na gravidez, na gestação. A mulher não consegue ter nenê? Tem problema no parto? Quer um parto tranquilo?... Não esquenta! No dia 26 ela vai à igreja dedicada a Sant’Ana, pega a velinha benta, acende com devoção e, daqui uns meses o neném está botando a cabeça pra fora, pra levar o primeiro susto da vida. Aconteceu já pra três mães aqui em Rio Claro. Pediram a velinha e, daí a 9 meses, vieram batizar os resultados.

Nada a estranhar. Afinal, a vó Ana e o seu Joaquim esperaram 20 anos pra terem um bebê. Rezaram, rezaram, rezaram, sem desistir. Até Deus cansou de tanto peditório, os dois veinhos com calo no joelho, e atendeu a oração. Surpresa! Veio uma menina. E que menina! Justamente a escolhida para ser a Mãe do Salvador. Os parentes, amigos, vizinhos soltaram rojão festejando.

Sant’Ana é tão vó, mas tão vovó, que já no séc. II se tem notícias dela. Logo teve seu clube de fãs e fanzines que louvavam, cantavam, oravam pra ela. Espalharam o seu nome e sua fama pelo mundo afora, via internet puxada a burro. Igrejas suntuosas foram construídas, sobretudo no Oriente. Mas, chegou também ao Brasil. Imagine se brasileiro ia ficar de fora dessa boca-livre de milagres, graças de uma santa vó tão poderosa como Sant’Ana. Por sinal, maior dos estados brasileiros, São Paulo, está sob os cuidados da madrinha Sant’Ana. Também, pudera! Avó de Jesus! Sim! De Jesus, o próprio. Imagine o garotinho Jesus correndo pela casa e pelo quintal gritando: vó Ana, vó Ana vem brincar! Ou fazendo cafuné nos cabelos já grisalhos da vovozinha.

Sant’Ana é dez. É mil. Da gestação à velhice ela está ali, querendo todo mundo no colo. Todos feitos seus netos e netas. Até seus parceiros de Terceira Idade festejando com ela o dia 26 de julho consagrado às vovós. Festejando com o bolo de fubá da vó Sant’Ana, com novena e procissão, quermesse e foguetório. A família inteira em festa: o neném, a gestante, os casais, os avós, os doentes.

No dia 26 de julho abrace as vovós no colo da vó Sant’Ana e os vovôs nos braços de São Joaquim. Faça festa mesmo quando eles usam o poder da bengala para botar ordem na casa.

Pe. Otto Dana
Pároco da Igreja Sant’Ana em Rio Claro – SP


Veja aqui: Oração à Santa Ana

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