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NOTÍCIA

10/07/2010

Amor ao próximo - solidariedade

 

Os profetas de Israel teceram os mais sublimes elogios à Lei de Deus.  Aliás, o termo "lei" traduz mal o que a Bíblia hebraica chama a torah; melhor seria traduzir por "instrução" ou "ensinamento". Era um caminho de vida.  Mesmo assim, havia quem achasse a Lei complicada e procurasse um resumo ou pelo menos um mandamento-chave que por assim dizer resumisse a Lei.  A pergunta foi feita também a Jesus, e ele respondeu, sem hesitar:
 
"Amar a Deus com todas as forças e ao próximo como a si mesmo" (evangelho). O amor ao próximo é o dever número um do cristão.  S. Paulo (Gl 5,13) e S. Tiago (Tg 2,8) resumem toda a moral cristã neste único mandamento.  S. João nos diz que é impossível amar a Deus sem amar ao irmão (1Jo 4,21).  Não se pode amar ao Pai sem amar os filhos.  Mas o que é amar? E quem são nossos próximos?
 
Depois de interpelar Jesus a respeito do primeiro mandamento, o mestre da Lei pergunta quem é o próximo.  Jesus não lhe dá uma resposta direta. Conta-lhe a história do bom samaritano. Os judeus não consideravam os samaritanos como "próximos", como candidatos à sua solidariedade. Eram inimigos de sua comunidade. Os membros da comunidade judaica, a esses era preciso "amá-los como a si mesmo" (Lv 19,18), e o mesmo valia com relação aos estrangeiros vivendo no meio dos judeus (Lv 19,35). Mas os samaritanos não. Ora, exatamente um samaritano torna-se solidário com um judeu jogado à beira da estrada, depois que dois ilustres "próximos" judeus, um sacerdote e um levita, deram uma volta para não se incomodar com o compatriota assaltado ...
 
Jesus não respondeu diretamente ao mestre da lei, porque a questão não é descobrir quem é e quem não é próximo. Coração generoso se torna próximo de qualquer um que precisa; a melhor maneira de ter amigos é ser amigo. A questão também não é teórica, mas prática. Na prática esquecemos a parábola de Jesus e fazemos como o sacerdote e o levita: afastamo-nos do necessitado, mesmo se pertence à nossa comunidade, e não "nos aproximamos" dele. Tornar-se próximo é ser solidário. Somos solidários com os que vivem na margem da estrada de nossa sociedade? Mesmo quando damos uma esmola a um coitado, não é para nos desviarmos dele? "Vai e faze a mesma coisa" ... Imitar o samaritano exige solidariedade, assumir a vida do outro, não se livrar dele. Torná-lo um irmão, pois este é o sentido verdadeiro da palavra "próximo".

Como está a solidariedade nesse tempo em que a doutrina da competição, do lucro e do proveito ilimitado solapou o tecido social, as relações de gratuidade entre as pessoas?


Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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