Newsletter

Artigos › 17/10/2018

Ir, escutar, anunciar

Estamos já na metade do mês das missões e do rosário. O Sínodo dos Bispos sobre a juventude caminha para a última semana, na qual o Papa Francisco quis refletir sobre o tema: Os Jovens, a fé e o discernimento vocacional. A preocupação de Francisco foi, antes de tudo, ouvir à mocidade, não somente católica, para entender os apelos e os temas que eles colocam diante da Igreja que, de maneira honesta deverá afrontar.

Após a consulta a Igreja publicou o Instrumentum Laboris, um documento que dá as diretrizes para as discussões e que foi elaborado com os resultados da consulta. A consulta revelou que os jovens confiam na Igreja como lugar seguro na qual podem colocar as suas perguntas decisivas e, ao mesmo tempo, acreditam que resposta da Igreja é verdadeira e profunda, mas acenaram, contudo, que existe uma dificuldade na comunicação da resposta. Esse documento serviu de consulta para, depois das respostas, ser elaborado o documento de trabalho que, em várias exposições abriu o Sínodo que está em curso.

A pergunta que se coloca é: como comunicar a alegria do evangelho aos jovens em uma linguagem que seja acessível sem perder a profundidade na resposta? O próprio documento entrevem algumas propostas e, juntamente com essas, gostaria de oferecer uma pequena contribuição.

A Igreja não pode ter medo de ir até onde se encontram os jovens e dialogar com eles. Isso reclama abraçar com seriedade o chamado missionário. Não podemos somente querer falar entre nós, dentro das nossas comunidades, mas como afirma o Papa Francisco, a Igreja deve ser uma Igreja em saída, deve ir para a missão sem medo de errar, ou de se decepcionar, usando uma linguagem nova que, sem perder o frescor do evangelho e da doutrina, atinja os interlocutores.

Ir lá onde estão os jovens exige uma outra virtude: saber escutar que exige deixar de lado os pré-conceitos onde, por vezes, nos deixa surdos àquilo que nos querem dizer. Se não somos capazes de ouvir, não seremos capazes nem de responder, nem de procurar a resposta. Acredito que seja esse o primeiro ensinamento, para não dizer o maior, desse Sínodo dos Bispos.

É verdade, por outro lado, que além de ir e ouvir, devemos ter a coragem de obedecer o mandato que Jesus nos deixou, ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura. Não podemos ceder a tentação, comum, de pensar que aquilo que Jesus deixou é algo a mais. Jesus deixou tudo, deixou uma proposta de vida nova para todo o homem que não pode ser descuidada e nem mesmo ser anunciada com certa vergonha. No final das contas, os jovens de hoje desejam uma vida intensa, feliz, cheia de aventuras… Será que o Evangelho não tem essas características?

Ir, escutar, anunciar, a Igreja no Brasil, no mês das missões é chamada em comunhão com o Sínodo dos jovens, repensar o modo de aproximar-se dos jovens que esperam a revelação dos filhos de Deus.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Fonte: site CNBB

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.