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Artigos › 20/04/2019

A cruz é o lugar em que Deus fala no silêncio

 

O catecismo ensina que “o altar da Nova Aliança é a cruz do Senhor, de onde dimanam os sacramentos do mistério pascal”. O arcebispo de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom João Jutino de Madeiros Silva, escreveu sobre o “poder radiante da cruz”. A reflexão para esta Semana Santa salienta a importância da cruz para o povo cristão, especialmente no tempo quaresmal e na Semana Santa. Para o arcebispo, ao contemplar a cruz de Jesus, o cristão compreende sua vocação.

“É perceptível como é forte a sensibilização das pessoas com o sofrimento do Senhor. A sexta-feira da paixão conta sempre com a presença e participação maciça de fiéis. Na verdade, os cristãos reconhecem Jesus como homem das dores, pois sua vida, como nos relatam os evangelhos, foi toda orientada para a cruz”, escreve dom João Justino. Nesta Sexta-feira da Paixão, as celebrações em todas as comunidades devotam especial momento para a Adoração da Cruz. “Aos que participam piedosamente da veneração da Santa Cruz e beijam devotamente o Santo Lenho”, a Igreja concede uma indulgência plenária, conforme o Manual das Indulgências.

“O julgamento, a flagelação, a coroação de espinhos, o caminho do calvário e, finalmente, a crucifixão revelam, em Jesus Cristo, o amor de Deus”, ressalta o arcebispo. Na dor humana – continua – “revela-se o coração amoroso do Deus Trino que, em Jesus, despojou-se e assumiu o fato mais doloroso da vida: a morte. A cruz justifica a audácia de pronunciar a palavra, para muitos escandalosa: por amor e comunhão radical com o ser humano, Deus sofre!”.

Dom João Justino prossegue refletindo sobre a morte de Jesus a partir da cruz: “A cruz é o lugar em que Deus fala no silêncio. Na solidão da morte, Jesus alcança cada ser humano, que pela morte haverá de passar. De sua cruz brota a ressurreição”.

A partir deste pensamento, recorda a oração contida no prefácio número 1 da Paixão do Senhor: “O universo inteiro, salvo pela Paixão de vosso Filho, pode proclamar a vossa misericórdia. Pelo poder radiante da Cruz, vimos com clareza o julgamento do mundo e a vitória de Jesus crucificado”.

Aprender da cruz e compreender a vocação
Aos cristãos, discípulos do Crucificado-Ressuscitado, a cruz é “escola de despojamento e esvaziamento”. Dom João Justino sinaliza que se aprende na cruz que nenhum ato de violência é justificável e que nenhuma morte, de quem quer que seja, pode ser comemorada.

“Contemplando a cruz de Jesus, o cristão compreende sua vocação. Ele, como o Senhor, há de dedicar-se pela causa do Reino para fazer dos calvários da terra lugares de ressurreição, de justiça e de vida plena”, ensina dom João, que conclui: “Traçando a cruz do Senhor sobre si mesmo o cristão vive sob a sombra dos braços abertos de Cristo, sinal eloquente do amor de Deus que nos banhou com o sangue de Jesus e fez de nós novas criaturas”.

 

Dom João Justino

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