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A arte do perdão

“Sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito” Mt 5, 48

 O amor ao inimigo não é um ensinamento secundário de Jesus, dirigido a pessoas chamadas à perfeição heroica. Seu chamado quer introduzir na história uma atitude nova diante do inimigo, porque quer eliminar do mundo ódio e a violência destruidora. Quem se assemelha a Deus não alimentará o ódio contra ninguém, buscará o bem de todos, inclusive de seus inimigos.
José  Antonio Pagola

♦ Amar os inimigos! É demais! Muitos de nossos contemporâneos teriam vontade de tirar, de censurar este versículo do texto do Evangelho. Palavras incômodas e abertamente contra o bom senso. Segundo o Sermão da Montanha está abolido o princípio do “olho por olho, dente por dente” e se instaura o tempo do perdão. Tema sempre difícil de ser abordado.

♦ Em nossa vida pessoal, na sociedade e mesmo em nossas comunidades cristãs, por vezes, experimentamos a violência, o mau trato, a traição de nossos próximos, um filho está diante de um pai que matou sua mãe, no momento da partilha dos bens em herança há parentes que se aproveitam da ingenuidade dos outros, assaltos, violência, assédios, chacinas, torturas, campos de concentração, momentos em que somos colocados para trás, difamados… e assim por diante. Como perdoar alguém que violenta sua filha diante de seus olhos?

♦ “Quando Jesus fala de amor ao inimigo, não está pedindo que alimentemos em nós sentimentos de afeto, de simpatia ou de carinho para aquele que nos causam mal. O inimigo continua sendo alguém do qual podemos esperar danos e os sentimentos de nosso coração  dificilmente podem mudar” (Pagola). Nada de ingenuidade. É preciso reagir e precaver-se.

♦ Amar significa não fazer mal, não buscar e nem desejar causar mal. Não é contra o amor a exigência de justiça, inclusive que a pessoa seja retirada da sociedade em casos extremos. Não se deve estranhar se não sintamos amor e afeto por ele. Natural que nos sintamos feridos e humilhados. O que seria contra o ensinamento de Jesus seria alimentar o ódio e a sede de vingança. Coloca-se a urgência que nossas crianças e jovens sejam educados para posturas críticas diante do mal.  Que busquem o diálogo desde pequenos para que nasça na sociedade a cultura do diálogo, do entendimento e da não violência.

♦ Estamos diante da necessidade se esterilizar todo germe de violência. O respeito pela pessoa do inimigo deve levar pessoas e sociedades a não pagar o mal com o mal.  Os homens de boa vontade estamos todos empenhados em construir um mundo de entendimento, de diálogo, de busca de vivência mesmo com situações e pessoas difíceis e que ofendem, roubam, matam, destroem as matas, poluem os rios, trucidam. Ghandi, Martin Luther King e Francisco de Assis foram apóstolos do perdão, da não-violência.  Francisco ao domesticar o lobo de Gubbio que anda escondido dentro de cada um de nós.

♦ Não esquecer que todos precisamos de perdão. Magoamos os outros, fazemos com que sofram, percam oportunidades, sofram com nossas indiferenças.  Se queremos ser perdoados  não se compreende que não demos o perdão. “Todos precisamos de perdão. O perdão instala um corte positivo, interrompe a baba inútil da tristeza, essa maceração que nos faz infelizes e nos leva a esmagar os outros de infelicidade. Tão facilmente ficamos atolados em becos cegos, em círculos sem saída, reféns de uma amargura que cada vez vai sendo mais pesada e contamina inexoravelmente a vida” (Tolentino).

♦ “A pessoa é humana quando o amor está na base de toda sua atuação. E nem sequer a relação com o inimigo deve ser uma exceção. Quem é humano até o fim descobre e respeita a dignidade humana do inimigo por mais desfigurada que possa parecer diante de nossos olhos. Não adota diante dele uma postura excludente de maldição, mas uma atitude realmente por seu bem” (Pagola).

♦ Amando os vossos inimigos “vos tornareis filhos de vosso Pai que está nos céus que faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”. No alto da cruz Jesus pede ao Pai.  “Perdoai-os porque não sabem o que fazem”.


Texto para reflexão

O ato de perdão é uma declaração unilateral de esperança. O perdão não é um acordo. Se me que quedo à espera de aquele que me oprimiu venha ao meu encontro arrancar-me da mágoa, posso esperar sentado. O perdão é esse gesto unilateral que recusa dar voz à vingança e que crê que por detrás daquele que me feriu há ainda um ser humano vulnerável, mas capaz de mudar. Perdoar é crer na possibilidade de transformação, a começar pela minha (Tolentino)


Oração

Senhor Jesus, supre nossas deficiências,
ilumina nosso caminho.
Dá-nos luz para descobrir os obstáculos,
força para superá-los,
audácia para buscar novos caminhos
e fé para saber que existem.
Dá-nos a capacidade de aceitar aqueles que palmilham outras estradas, esperar os que caminham lentamente, apoias os que se cansam, levantar os que caem e compreender os que vão embora.
Assim seres teus companheiros de caminho
e tu caminharás ao nosso lado. Amém.
(Autor anônimo).

Frei Almir Guimarães, OFM

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